A perimenopausa é o período em que a função dos ovários começa a mudar antes da menopausa. À medida que essa função se torna menos regular, a produção de estrogênio e progesterona passa a oscilar, o que interfere na ovulação e faz com que ela se torne menos previsível.
Essas mudanças podem alterar o ciclo menstrual e também provocar sintomas que vão além da menstruação.
Como esse processo é gradual, a perimenopausa não começa necessariamente com uma grande alteração perceptível. Na maioria das mulheres, ela se inicia durante os 40 anos e pode se estender por vários anos, com mudanças que se tornam mais evidentes conforme a atividade ovariana diminui.
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O início da perimenopausa
As primeiras manifestações costumam aparecer no ciclo menstrual. Uma diferença ocasional entre uma menstruação e outra não é suficiente para caracterizar a transição, mas mudanças persistentes na duração dos ciclos podem indicar que a função ovariana já começou a se modificar.
Os critérios STRAW+10, utilizados para classificar os estágios da transição menopausal, consideram como um dos primeiros sinais uma diferença persistente de pelo menos sete dias na duração de ciclos consecutivos.
Conforme a transição avança, os intervalos entre as menstruações podem se tornar ainda maiores, incluindo períodos de 60 dias ou mais sem sangramento.
Como os níveis de estrogênio e progesterona variam de maneira diferente ao longo desses ciclos, o endométrio também recebe estímulos hormonais diferentes, o que contribui para mudanças na duração e no padrão da menstruação.
As alterações hormonais
A ideia de que a perimenopausa consiste simplesmente em uma queda contínua do estrogênio não descreve bem o que acontece nessa fase. A produção hormonal pode oscilar bastante, e os níveis de estradiol podem ser relativamente altos em determinados momentos e mais baixos em outros.
A progesterona também varia conforme a ovulação ocorre ou deixa de ocorrer.
Nesse cenário, o FSH, hormônio produzido pela hipófise para estimular os ovários, tende a aumentar à medida que a função ovariana diminui. Como essas alterações não acontecem de forma linear, entretanto, uma dosagem feita em determinado momento pode não representar o que está acontecendo nos ciclos seguintes.
Essa instabilidade hormonal também ajuda a explicar a variação dos sintomas. Uma mulher pode passar por períodos com poucas manifestações e depois apresentar ondas de calor, alterações do sono ou mudanças no ciclo com maior intensidade.
Os sintomas da perimenopausa
As oscilações hormonais podem produzir manifestações diferentes e nem todas aparecem ao mesmo tempo. Algumas mulheres percebem primeiro as alterações menstruais, enquanto outras começam a apresentar sintomas vasomotores ou mudanças no sono antes que o ciclo se torne claramente irregular.
Entre os sintomas que podem ocorrer estão:
Ondas de calor
Suor noturno
Alterações do sono
Mudanças de humor e irritabilidade
Dificuldade de concentração
Dores de cabeça ou alterações na enxaqueca
Palpitações
Alterações da libido
Secura vaginal
Sintomas urinários
A intensidade e a combinação desses sintomas variam ao longo da transição. Além das próprias oscilações hormonais, fatores como sono inadequado e outras condições de saúde podem contribuir para algumas dessas manifestações, o que torna inadequado atribuir automaticamente qualquer mudança física ou emocional à perimenopausa.
A fertilidade durante a perimenopausa
Como a ovulação se torna menos frequente e previsível, a fertilidade diminui durante a perimenopausa, somando-se à redução natural da fertilidade associada à idade. Isso, porém, não significa que a capacidade de engravidar desapareça.
Enquanto ainda houver ovulação, existe possibilidade de gestação, inclusive depois de um intervalo prolongado sem menstruar. Como a ovulação acontece antes da menstruação seguinte, ela pode ocorrer inesperadamente em um ciclo que parecia ter sido interrompido.
Por esse motivo, mulheres que não desejam engravidar continuam precisando de contracepção durante a perimenopausa.
A duração da perimenopausa
A duração da perimenopausa varia entre as mulheres e não segue necessariamente uma progressão contínua. Os ciclos podem apresentar maior irregularidade durante determinado período e depois se aproximar temporariamente do padrão anterior, enquanto os sintomas também podem mudar de intensidade ao longo dos anos.
A transição termina depois da última menstruação, mas esse momento só pode ser reconhecido retrospectivamente. A menopausa é confirmada quando passam 12 meses consecutivos sem menstruação, desde que não exista outra causa para a ausência do ciclo.
Perimenopausa antes dos 40 anos
Quando alterações importantes do ciclo aparecem antes dos 40 anos, é necessário considerar outras causas além da transição menopausal habitual. A insuficiência ovariana primária é uma possibilidade, já que pode provocar irregularidade ou ausência de menstruação e sintomas relacionados à redução da função ovariana.
Outras situações também podem interferir no ciclo menstrual, entre elas:
Gravidez
Alterações da tireoide
Mudanças importantes de peso
Exercício físico excessivo
Alguns medicamentos
Condições que afetam o funcionamento dos ovários
Assim, quanto mais cedo surgem alterações importantes, mais importante é investigar sua causa em vez de atribuí-las automaticamente à perimenopausa.
Diagnóstico e acompanhamento
Em mulheres na faixa etária habitual, a avaliação da perimenopausa considera principalmente a idade, o histórico menstrual e os sintomas. Como FSH e estradiol podem oscilar consideravelmente durante essa fase, uma dosagem hormonal isolada geralmente não consegue estabelecer com precisão se a transição começou ou em que estágio ela se encontra.
A investigação também é importante quando o padrão menstrual foge do esperado, especialmente diante de sangramento muito intenso ou prolongado, sangramento entre as menstruações ou alterações importantes em uma idade incomum. Nesses casos, é necessário considerar outras causas antes de atribuir o quadro às mudanças hormonais da perimenopausa.
A perimenopausa, portanto, não corresponde simplesmente ao período em que os hormônios “caem” antes da menopausa. É uma fase de mudanças progressivas na função ovariana, marcada por maior variabilidade hormonal, alterações na ovulação e, consequentemente, mudanças no ciclo menstrual e em diferentes aspectos do organismo.

