Menopausa precoce: causas e tratamento

Neste artigo

    A menopausa precoce ocorre quando a interrupção definitiva da menstruação acontece antes dos quarenta anos, provocando mudanças hormonais que afetam não apenas o corpo, mas também a saúde emocional e a qualidade de vida da mulher, especialmente por surgir em uma fase em que essas transformações normalmente não são esperadas.

    De maneira geral, considera-se menopausa o momento em que a mulher permanece doze meses consecutivos sem menstruar, em razão da redução da atividade dos ovários e da queda na produção de hormônios como estrogênio e progesterona. 

    Quando esse processo se inicia de forma antecipada, ele exige atenção médica, acompanhamento contínuo e informação clara para evitar impactos mais amplos ao longo dos anos.

    Menopausa precoce afeta mulheres antes dos 40 anos. Entenda causas, sintomas, consequências e opções de tratamento.

    O que é a menopausa precoce?

    Na menopausa precoce, os ovários passam a funcionar de forma insuficiente, produzindo menos hormônios e liberando menos óvulos, o que leva à irregularidade menstrual ou à ausência completa dos ciclos. 

    Esse quadro pode se instalar de maneira gradual ou relativamente rápida, variando de mulher para mulher.

    No entanto, é importante ressaltar que nem toda ausência de menstruação indica menopausa precoce. Situações como estresse intenso, alterações significativas de peso ou desequilíbrios hormonais temporários também podem interferir no ciclo menstrual, o que torna fundamental a avaliação médica antes de qualquer conclusão.

    Principais causas

    As causas da menopausa precoce são diversas e, em muitos casos, não podem ser identificadas com precisão, o que costuma gerar insegurança e frustração. Ainda assim, alguns fatores são reconhecidamente associados a esse quadro:

    • Predisposição genética, já que mulheres com histórico familiar de menopausa precoce apresentam maior risco de desenvolver a condição

    • Doenças autoimunes, quando o sistema imunológico passa a atacar os ovários, comprometendo sua função ao longo do tempo

    • Quimioterapia e radioterapia, que podem causar danos diretos ao tecido ovariano

    • Cirurgias ginecológicas que envolvem a retirada dos ovários ou afetam sua irrigação sanguínea

    • Infecções virais, como a caxumba

    Além disso, o tabagismo e a exposição a toxinas ambientais estão associados ao envelhecimento mais rápido dos ovários.

    Em parte dos casos, não é possível identificar uma causa específica, situação conhecida como menopausa precoce idiopática, o que não reduz a importância do diagnóstico nem do acompanhamento adequado.

    Sintomas mais comuns

    Os sintomas da menopausa precoce variam muito, com uma grande parte das mulheres relatando apenas a redução ou ausência do fluxo menstrual.

    Em outros casos, os sintomas são semelhantes aos da menopausa natural, variando em intensidade conforme fatores hormonais, emocionais e individuais: 

    • Ondas de calor

    • Sudorese excessiva

    • Alterações de humor

    • Irritabilidade

    • Ansiedade

    • Sintomas depressivos

    • Ressecamento vaginal

    • Diminuição da libido 

    • Desconforto durante as relações sexuais

    • Dificuldade de concentração

    • Lapsos de memória

    • Sensação de cansaço

    Por fim, a menopausa precoce é uma causa relativamente comum de infertilidade, e é descoberta apenas durante a investigação médica.

    Menopausa precoce afeta mulheres antes dos 40 anos. Entenda causas, sintomas, consequências e opções de tratamento.

    Consequências da menopausa precoce

    A deficiência prolongada de estrogênio pode trazer consequências importantes quando a menopausa ocorre de forma antecipada. 

    Uma das principais preocupações é a saúde óssea, já que a perda hormonal acelera a redução da massa óssea, aumentando o risco de osteopenia e osteoporose em idades mais jovens.

    O sistema cardiovascular também pode ser afetado, pois o estrogênio exerce efeito protetor sobre os vasos sanguíneos. Sua redução precoce está associada a maior risco de doenças cardíacas, alterações do colesterol e aumento da pressão arterial.

    Mudanças metabólicas, como maior facilidade para ganho de peso e resistência à insulina, além de alterações urogenitais persistentes, também podem ocorrer, reforçando a importância do acompanhamento médico contínuo.

    Como é feito o diagnóstico da menopausa precoce?

    O diagnóstico da menopausa precoce é feito a partir da avaliação clínica, do histórico menstrual e da realização de exames laboratoriais, que inclui:

    • Dosagem de hormônios como o hormônio folículo estimulante e o estrogênio

    • Investigação de alterações genéticas

    • Pesquisa de autoanticorpos, caso haja a suspeita de doenças autoimunes

    Além disso, outros exames podem ser solicitados para avaliar as consequências da menopausa precoce, como osteoporose e doenças cardiovasculares.

    Tratamento e acompanhamento

    O tratamento da menopausa precoce deve ser individualizado e tem como objetivo principal aliviar os sintomas, proteger a saúde óssea e cardiovascular e melhorar a qualidade de vida. 

    A terapia hormonal costuma ser indicada, desde que não existam contraindicações, pois ajuda a repor os hormônios que o organismo deixou de produzir precocemente.

    Esses tratamentos costumam ser tomados até mais ou menos os 51 anos de idade, que é a idade média em que ocorre a menopausa natural.

    A adoção de hábitos de vida saudáveis, como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, abandono do tabagismo e controle do estresse, também são medidas essenciais para reduzir riscos e promover bem estar geral.

    Fertilidade e possibilidades de gravidez

    A redução da função ovariana diminui significativamente as chances de gravidez espontânea, embora algumas mulheres ainda apresentem ovulações esporádicas. 

    Por isso, a fertilidade deve ser avaliada individualmente, levando em conta idade, reserva ovariana e condições clínicas.

    Entre as possibilidades existentes estão:

    • Indução da ovulação, quando há atividade ovariana residual

    • Técnicas de reprodução assistida, como a fertilização in vitro, que pode ser realizada com óvulos próprios em casos selecionados ou com óvulos doados, opção que apresenta maiores taxas de sucesso e permite a gestação mesmo quando os ovários já não funcionam

    A orientação de um especialista em reprodução humana é fundamental para esclarecer expectativas, riscos e alternativas disponíveis.

    Aspectos emocionais e psicológicos

    Receber o diagnóstico de menopausa precoce pode causar impacto emocional significativo, despertando sentimentos de tristeza, medo, frustração e insegurança. Além disso, as alterações hormonais contribuem para oscilações de humor.

    Por isso, o acompanhamento psicológico pode ajudar a mulher a elaborar esse processo, fortalecer a autoestima e desenvolver estratégias para lidar com as mudanças, promovendo maior equilíbrio emocional e qualidade de vida.

    Dúvidas comuns sobre o tema

    Menopausa precoce tem cura?

    Não existe cura para a menopausa precoce, mas o tratamento adequado ajuda a controlar os sintomas, prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida.

    Menopausa precoce é o mesmo que insuficiência ovariana prematura?

    Os termos são usados como sinônimos, mas a insuficiência ovariana prematura pode incluir casos em que ainda existe alguma atividade ovariana residual.

    Quem tem menopausa precoce pode engravidar?

    A chance de gravidez espontânea na menopausa precoce é reduzida, mas pode ocorrer em cerca de 10% das mulheres. Na maioria dos casos, é recomendada a utilização de técnicas de reprodução assistida.

    Referências ▼