A nebulização é uma via de administração de medicamentos fundamental em diversas emergências respiratórias, permitindo que a substância ativa chegue diretamente às vias aéreas.
Dentre os medicamentos utilizados, a adrenalina inalatória tem um papel importantíssimo, especialmente no tratamento de quadros de obstrução aérea superior.
Porém, é fundamental que profissionais de saúde entendam suas indicações específicas, os protocolos de segurança e os riscos associados para garantir um tratamento eficaz e livre de erros.
Ao mesmo tempo, familiares, acompanhantes e o próprio paciente (quando possível) devem sempre estar atentos aos medicamentos utilizados, e questionar quando surgir qualquer dúvida.
Informação correta pode salvar vidas.
O que é adrenalina?
A adrenalina, também conhecida como epinefrina, é um hormônio e neurotransmissor. Ela é naturalmente produzida pelas glândulas adrenais (ou suprarrenais) do nosso corpo e faz parte da resposta fisiológica de "luta ou fuga".
A adrenalina age em diversos receptores adrenérgicos (alfa e beta) espalhados pelo organismo, e seus efeitos dependem de qual receptor e qual órgão ela está atuando. São eles:
Aumento da frequência cardíaca e da força de contração
Aumento da pressão arterial
Broncodilatação
Vasoconstrição
Devido a sua potente ação, a adrenalina é usada como medicamento em alguns problemas de saúde, tanto de forma inalatória (como nebulização) quanto injetável.
Indicações da adrenalina inalatória
A adrenalina por nebulização é indicada para o tratamento de condições respiratórias agudas e graves que envolvem inchaço significativo das vias aéreas superiores.
Esse edema, ou inchaço, gera obstrução parcial da garganta (faringe), da laringe ou da traquéia, causando dificuldade respiratória e um som muito característico chamado estridor.
Assim, podemos destacar as principais indicações:
Laringite aguda: A inflamação aguda da laringe é a indicação mais comum. A adrenalina é usada em casos moderados a graves (quando há estridor em repouso), atuando rapidamente na melhora do edema
Estridor pós-extubação: Muitos pacientes desenvolvem edema laríngeo após a remoção do tubo endotraqueal. A nebulização com adrenalina ajuda tratar o inchaço e a prevenir a necessidade de reintubação
Outras obstruções agudas: Pode ser considerada em casos de edema de vias aéreas superiores devido a reações alérgicas localizadas ou inalação de irritantes, dependendo da gravidade do quadro
Indicações da adrenalina venosa
A adrenalina é um dos principais medicamentos utilizados na parada cardiorrespiratória (PCR), no choque anafilático e em casos selecionados de choque séptico e cardiogênico.
Mas, para cada um deles, há um protocolo específico a ser seguido:
Uso na parada cardíaca
A adrenalina é recomendada nos protocolos internacionais por sua potente ação vasoconstritora, que aumenta a pressão sanguínea e o envio de sangue para as artérias coronárias e cerebrais durante as compressões torácicas (ressuscitação).
Assim, o sangue consegue chegar aos locais mais importantes para garantir a vida e o retorno do funcionamento normal do coração.
Uso no choque anafilático
A adrenalina é o tratamento de primeira linha no choque anafilático. Ela é administrada preferencialmente por via intramuscular, mas pode também ser usada de forma venosa, quando a primeira opção não funciona adequadamente.
Nesses casos, ela atua de duas formas simultaneamente:
Elevando a pressão arterial: Reverte a dilatação maciça dos vasos sanguíneos e a queda drástica da pressão que o choque anafilático causa
Melhorando a respiração: Promove a dilatação das vias respiratórias, combatendo o broncoespasmo grave e o edema da laringe
Uso em outros tipos de choque
Embora não seja a primeira escolha, a adrenalina pode também ser usada no tratamento de outros tipos de choque, como o séptico e o cardiogênico.
Mas, nesses casos ela funciona como medicamento adjuvante, pois a noradrenalina é a primeira escolha.
Possíveis efeitos colaterais
A maioria dos efeitos colaterais da adrenalina ocorrem quando a administração é intramuscular ou venosa. São eles:
Cardíacos: Taquicardia (aumento da frequência cardíaca), arritmias e palpitações
Vasoativos: Aumento da pressão arterial
Neurológicos: Ansiedade, inquietação e tremores
Embora o efeito na via inalatória seja principalmente local, ou seja na própria via respiratória, o medicamento pode ser absorvido pela mucosa e chegar na corrente sanguínea. Por isso os efeitos colaterais também podem ocorrer, mesmo que sejam menos frequentes e mais leves.
Por isso, é obrigatória a monitorização dos sinais vitais (frequência cardíaca e pressão arterial) por pelo menos duas horas após a administração da adrenalina inalatória, devido ao risco de efeitos colaterais e da retorno do estridor.
Riscos
Além dos possíveis efeitos colaterais, o risco mais grave associado ao uso da adrenalina é a confusão entre a via inalatória e a via intravenosa.
A adrenalina, quando usada como nebulização, é preparada em uma dose mais alta e concentrada. O medicamento nessas doses mais altas pode causar:
Palidez extrema, devido a vasoconstrição dos vasos sanguíneos periféricos, que faz com que o sangue não chegue à pele e às extremidades
Aumento rápido e intenso da pressão arterial, podendo levar a sangramento cerebral
Alterações graves e potencialmente letais do ritmo cardíaco
Dor no peito
Parada cardíaca
Complicações neurológicas
Quando a dose é muito alta ou o problema não é tratado corretamente, existe o risco significativo de morte.
Cuidados
A administração de adrenalina, independentemente da via utilizada, exige atenção redobrada devido ao potencial de efeitos adversos e ao risco de erros graves. No caso da adrenalina nebulizada, algumas medidas são fundamentais para garantir a segurança do paciente.
O primeiro cuidado é verificar cuidadosamente a prescrição médica, para confirmar a dose, a via de administração e a frequência de uso.
Além disso, a adrenalina prescrita para nebulização não pode ser administrada por via intravenosa, uma vez que a dose e a concentração são mais altas.
Por fim, após a administração, o paciente deve ser monitorado de forma contínua, incluindo a verificação de frequência cardíaca, padrão respiratório, presença de estridor e possíveis efeitos cardiovasculares.
Dúvidas comuns sobre o tema
Sim. Quando realizada com indicação correta e em ambiente monitorado, é considerada segura para crianças. A principal função é reduzir o edema das vias aéreas e melhorar o estridor, com baixo risco de efeitos sistêmicos relevantes.
O alívio costuma começar poucos minutos após a inalação, especialmente em casos de crupe ou estridor. O efeito máximo ocorre geralmente entre 10 e 30 minutos, mas o paciente deve permanecer em observação para detectar possíveis recaídas.
Os efeitos mais comuns incluem taquicardia leve, tremores, agitação e sensação de palpitação. Esses sintomas costumam ser transitórios. Apesar de raros, efeitos cardiovasculares mais intensos podem ocorrer e exigem monitoramento.
Referências ▼
- Jornal de Pediatria – Segurança de nebulização com 3 a 5 ml de adrenalina (1:1000) em crianças: uma revisão baseada em evidência
- Annals of Emergency Medicine – Confusion About Epinephrine Dosing Leading to Iatrogenic Overdose: A Life-Threatening Problem With a Potential Solution
- Guia Farmacêutico (Hospital Sírio-Libanês) – Epinefrina


