A menopausa é uma fase natural da vida da mulher, mas ainda cercada de dúvidas, inseguranças e, principalmente, mitos.
Enquanto que para muitas ela é associada apenas ao fim da menstruação, na verdade envolve um conjunto de mudanças hormonais que podem afetar o corpo, as emoções e a qualidade de vida de várias formas. Assim, entender o que acontece nesse período ajuda não apenas a reconhecer os sintomas, mas também a lidar com eles de forma mais tranquila e segura.
De forma geral, a menopausa marca o encerramento do ciclo reprodutivo feminino. Ela é diagnosticada quando a mulher completa 12 meses consecutivos sem menstruar, sem outra causa clínica que explique essa ausência.
No Brasil, a idade média em que isso ocorre fica entre 45 e 55 anos, embora esse número possa variar bastante de pessoa para pessoa. Antes da menopausa propriamente dita, existe uma fase de transição chamada climatério, na qual os níveis hormonais começam a oscilar e os primeiros sintomas costumam surgir.
O que muda no corpo durante a menopausa?
A principal mudança associada à menopausa é a queda na produção dos hormônios estrogênio e progesterona pelos ovários. Esses hormônios desempenham um papel fundamental em diversas funções do organismo, indo muito além do ciclo menstrual.
Quando seus níveis diminuem, o corpo precisa se adaptar a um novo equilíbrio, o que explica a variedade de sintomas possíveis.
Uma das alterações mais conhecidas é o fim da ovulação e da menstruação. No entanto, essa mudança não acontece de forma abrupta para todas as mulheres.
Durante o climatério, os ciclos podem ficar irregulares, com atrasos, adiantamentos ou fluxos diferentes do habitual. Esse período pode durar alguns anos até que a menopausa se estabeleça definitivamente.
Além disso, o estrogênio influencia diretamente a saúde dos ossos, do coração, da pele e do sistema nervoso. Com a sua redução, ocorre uma tendência à:
Perda de massa óssea, o que aumenta o risco de osteopenia e osteoporose ao longo do tempo
O metabolismo também pode se tornar mais lento, facilitando o ganho de peso, especialmente na região abdominal
O ciclo de sono é outra coisa fortemente afetada pela redução hormonal, bem como o humor
São mudanças que podem surgir de forma sutil, e apenas depois da identificação do climatério é que muitas mulheres associam o que vem ocorrendo com o fim do ciclo reprodutivo.
Principais sintomas da menopausa
Os sintomas comumente associados à menopausa são, na verdade, sintomas do climatério, que é a fase de redução da produção hormonal.
Eles variam muito em intensidade e duração, e enquanto algumas mulheres passam por essa fase com poucos desconfortos, outras enfrentam impactos significativos no dia a dia.
Entre os sintomas mais comuns estão:
Fogachos, também conhecidos como ondas de calor, que se manifestam como uma sensação súbita de calor intenso, geralmente no rosto, pescoço e tórax, acompanhada de suor e, às vezes, calafrios em seguida
Alterações no sono, incluindo dificuldade para adormecer, despertares noturnos e sensação de sono não reparador. Podem estar relacionados tanto às mudanças hormonais quanto aos próprios fogachos noturnos. Com o sono prejudicado, é comum surgir cansaço excessivo durante o dia, além de dificuldade de concentração
Oscilações de humor, irritabilidade, ansiedade e, em alguns casos, sintomas depressivos, devido à influência que os hormônios sexuais têm sobre os neurotransmissores ligados ao bem-estar emocional, como a serotonina e a dopamina. Além disso, fatores como estresse, mudanças na rotina, envelhecimento e questões pessoais podem potencializar esse impacto emocional
Secura vaginal, causada pela redução da lubrificação natural dos tecidos. Isso pode levar a desconforto durante as relações sexuais, ardor e maior predisposição a infecções urinárias
Diminuição da libido também pode ocorrer, seja por fatores hormonais, físicos ou emocionais
Impactos na saúde a longo prazo
Além dos sintomas imediatos, a menopausa está associada a mudanças que afetam a saúde a longo prazo. A redução do estrogênio tem relação direta com o aumento do risco cardiovascular, já que esse hormônio ajuda a proteger os vasos sanguíneos e a manter níveis saudáveis de colesterol.
Por isso, após a menopausa, a chance de desenvolver doenças cardíacas aumenta, e tende a se aproximar da observada em homens.
A saúde óssea, como mencionado, também merece atenção especial, já que a perda acelerada de densidade óssea nos primeiros anos após a menopausa pode passar despercebida até que ocorra uma fratura. Então, o acompanhamento médico e a adoção de hábitos preventivos são fundamentais.
Tratamentos e formas de aliviar os sintomas
Da mesma forma que acontece com os sintomas, o tratamento da menopausa não é igual para todas as mulheres. A escolha vai depender dos incômodos apresentados, do histórico de saúde, da presença de doenças associadas e das preferências individuais.
O acompanhamento com um profissional de saúde é essencial para avaliar os riscos e benefícios de cada abordagem.
A opção mais conhecida é a terapia de reposição hormonal, e pode ser bastante eficaz para aliviar fogachos, melhorar o sono, reduzir a secura vaginal e proteger a saúde óssea. No entanto, ela não é indicada para todas as mulheres e deve ser prescrita de forma individualizada, considerando fatores como histórico de câncer, trombose e doenças cardiovasculares.
Para quem não pode ou não deseja fazer reposição hormonal, existem alternativas, como:
Alguns antidepressivos inibidores seletivos da recaptação da serotonina e inibidores seletivos da recaptação da serotonina e norepinefrina, como paroxetina, sertralina e o citalopram. Eles ajudam a aliviar of fogachos, as mudanças de humor e o sono
Gabapentina e pregabalina, dois anticonvulsivantes que podem ser úteis em alguns casos de fogacho, apesar dos efeitos colaterais
Clonidina, um anti-hipertensivo, também pode ser usado para tratar os fogachos, principalmente se a mulher já for hipertensa
Já os lubrificantes e hidratantes vaginais são opções simples e eficazes para aliviar a secura e o desconforto íntimo.
Outra forma de amenizar os sintomas da menopausa é implementar algumas mudanças no estilo de vida, como:
Praticar atividade física
Controlar o peso
Alimentação equilibrada, rica em cálcio, vitamina D, fibras, frutas e vegetais
Reduzir o consumo de álcool, cafeína e alimentos muito condimentados pode diminuir a frequência dos fogachos em algumas mulheres
Técnicas de relaxamento, como meditação
Psicoterapia
Essas medidas ajudam a melhorar a saúde como um todo, o que reduz os riscos associados à menopausa.
Soja e menopausa: a isoflavona realmente melhora os sintomas?
A soja é rica em compostos que possuem estruturas químicas semelhantes ao estrogênio, chamados de isoflavonas. No organismo, elas conseguem se ligar aos receptores de estrogênio, exercendo um efeito hormonal mais fraco e modulador.
Essas substâncias podem ser usadas para aliviar alguns sintomas do climatério, embora não substituam completamente a terapia de reposição hormonal.
Quando a soja é incluída na dieta como alimento, na forma de tofu, leite, edamame, grão de soja, tempeh ou missô, as isoflavonas são consumidas junto com fibras, proteínas e outros compostos bioativos.
Isso favorece um efeito mais gradual no organismo e amplia os benefícios para a saúde cardiovascular, óssea e metabólica, que também merecem atenção no climatério.
Os suplementos de isoflavona, por sua vez, oferecem doses mais concentradas dessas substâncias. Em alguns casos, eles podem ajudar a reduzir a intensidade das ondas de calor, especialmente quando os sintomas são persistentes.
No entanto, os estudos mostram que os resultados variam bastante de mulher para mulher, e o efeito costuma ser mais modesto do que o da terapia hormonal. Além disso, nem todos os suplementos têm a mesma qualidade ou padronização, o que torna o uso menos previsível.
Dúvidas comuns sobre o tema
Os primeiros sinais costumam surgir ainda no climatério e incluem ciclos menstruais irregulares, ondas de calor, alterações no sono, mudanças de humor e cansaço sem causa aparente. Esses sintomas aparecem devido às oscilações hormonais e podem começar anos antes da última menstruação.
Não. O climatério é a fase de transição em que os hormônios começam a oscilar e os sintomas surgem. A menopausa é um marco, definido após 12 meses sem menstruação. A maioria dos sintomas atribuídos à menopausa ocorre, na verdade, durante o climatério.
A soja contém isoflavonas, compostos que podem exercer efeito estrogênico leve no organismo. Estudos mostram que elas podem ajudar a reduzir ondas de calor em algumas mulheres, mas o efeito é variável e geralmente mais discreto que o da reposição hormonal.
Referências ▼
- Revista Ciencia Multidisciplinaria CUNORI – Terapia de reemplazo hormonal en mujeres durante el climaterio
- Geriatrics, Gerontology and Aging – Efeitos das isoflavonas de soja no período de climatério
- Journal of mid-life health – The Impact of Soy Isoflavone Supplementation on the Menopausal Symptoms in Perimenopausal and Postmenopausal Women

