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Creatina para depressão: o que sabemos?

Neste artigo

    Conhecida principalmente entre quem pratica exercícios, a creatina também começou a chamar atenção nas pesquisas sobre depressão. Seu papel na produção de energia das células, inclusive as do cérebro, levantou a hipótese de que ela poderia influenciar alguns dos processos envolvidos nos sintomas depressivos.

    Esse interesse ganhou força à medida que estudos passaram a investigar alterações no metabolismo energético cerebral associadas à depressão. Como a creatina participa desse sistema, pesquisadores começaram a avaliar se sua suplementação poderia melhorar a resposta aos tratamentos já utilizados.

    Os primeiros resultados foram promissores. Desde então, novos estudos trouxeram dados mais variados, deixando uma questão em aberto: a creatina realmente ajuda no tratamento da depressão?

    Estudos sugerem que a creatina pode ajudar a reduzir sintomas de depressão, especialmente quando usada junto a outros tratamentos.

    Creatina pode melhorar a depressão?

    Em um dos primeiros estudos que chamaram atenção para essa possibilidade, mulheres com depressão receberam escitalopram junto com creatina ou placebo. 

    Depois de oito semanas, o grupo que recebeu a suplementação apresentou maior redução dos sintomas, e a diferença começou a aparecer já nas primeiras semanas.

    Pesquisas posteriores também encontraram possíveis benefícios, inclusive quando a creatina foi combinada à psicoterapia. Ainda assim, os resultados não foram consistentes entre os diferentes estudos.

    Uma análise publicada em 2025 reuniu essas pesquisas e encontrou uma pequena redução dos sintomas depressivos com a creatina. O efeito não chegou, porém, ao tamanho considerado clinicamente relevante, e a qualidade geral das evidências foi baixa. Ou seja, é preciso estudar mais o tema antes de indicar creatina como tratamento para a depressão.

    Como a creatina poderia agir no cérebro?

    Para entender por que a creatina está sendo estudada na depressão, é preciso olhar para sua função no organismo. Ela participa de um sistema que armazena e disponibiliza energia rapidamente para as células.

    No cérebro, esse mecanismo ajuda a sustentar o funcionamento dos neurônios. Por isso, pesquisadores investigam se aumentar a disponibilidade de creatina poderia melhorar a capacidade das células cerebrais de lidar com suas necessidades energéticas.

    Essa hipótese ainda não explica completamente os resultados encontrados nos estudos. Também não está claro se algumas pessoas responderam melhor à suplementação do que outras.

    Qual dose foi estudada?

    As pesquisas utilizaram doses diferentes, e ainda não existe uma dose de creatina estabelecida para o tratamento da depressão. No estudo com escitalopram, por exemplo, foram usados 3 g por dia na primeira semana e 5 g por dia nas semanas seguintes.

    Essas são doses comumente usadas por quem pratica exercícios.

    A creatina é segura?

    De modo geral, a creatina monohidratada foi bem tolerada nos estudos realizados até agora. Como as pesquisas sobre depressão ainda são pequenas e acompanharam os participantes por períodos relativamente curtos, entretanto, há menos informação sobre o uso prolongado com essa finalidade.

    Alguns cuidados são importantes:

    • A creatina pode aumentar a creatinina no sangue, o que pode interferir na avaliação da função renal. No entanto, esse aumento não significa que o suplemento afeta o rim

    • Pessoas com doença renal devem conversar com um profissional de saúde antes de usar o suplemento

    • Antidepressivos não devem ser interrompidos ou ter sua dose alterada por causa da creatina

    • Pessoas com transtorno bipolar precisam de atenção especial, pois houve relatos de mania ou hipomania em alguns estudos, embora ainda não esteja estabelecido que a creatina tenha causado esses episódios

    Então, a creatina ajuda na depressão?

    Os estudos disponíveis apontam para um possível benefício, principalmente quando a creatina é usada como tratamento adjuvante, ou seja, junto com o tratamento principal (geralmente um antidepressivo). 

    O efeito encontrado até agora, porém, é pequeno e não foi consistente o bastante para que a suplementação seja considerada um tratamento estabelecido para a depressão.

    E ainda falta descobrir se determinadas pessoas podem se beneficiar mais do que outras e quais características poderiam explicar essa diferença. Por enquanto, a creatina permanece como uma possibilidade de tratamento complementar em investigação.

    Referências ▼

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