O câncer no intestino é um termo amplo que pode se referir a tumores que se desenvolvem em diferentes partes do intestino. Na prática, porém, quando se fala sobre a doença em adultos, a preocupação costuma estar relacionada principalmente ao câncer colorretal, que começa no cólon ou no reto.
A doença pode se desenvolver durante anos sem provocar sintomas claros. E, quando eles aparecem, muitas vezes são confundidos com alterações intestinais comuns.
Por isso, é extremamente importante observar mudanças no funcionamento do intestino, especialmente quando surgem sem uma explicação conhecida.
O que é câncer no intestino?
O câncer ocorre quando células do intestino passam a se multiplicar de maneira descontrolada e adquirem a capacidade de invadir tecidos próximos ou se espalhar para outras partes do organismo.
No câncer colorretal, muitos tumores começam como pólipos, que são pequenas alterações na parede interna do intestino. Alguns tipos de pólipo podem sofrer mudanças ao longo dos anos e se transformar em câncer. Por isso, a identificação e a retirada desses pólipos durante a colonoscopia podem impedir que um tumor se desenvolva.
Embora o câncer colorretal seja o principal tipo de câncer intestinal abordado nas estratégias de rastreamento, existem tumores que surgem no intestino delgado. Eles são menos comuns e têm características diferentes, portanto, os sintomas e a investigação podem variar.
Sintomas de câncer no intestino
Os sintomas de câncer no intestino dependem da localização e do tamanho do tumor, além do quanto a doença avançou. Algumas pessoas não apresentam sintomas no início, enquanto outras percebem alterações que persistem por semanas ou vão se tornando mais intensas.
Sintomas iniciais
Nos estágios iniciais, os sinais costumam ser discretos. Entre os sintomas possíveis estão:
Mudança persistente no hábito intestinal: alterações recentes no padrão habitual, como constipação ou diarreia que não melhoram.
Sangue nas fezes: o sangue pode ser vermelho vivo ou deixar as fezes mais escuras, dependendo da localização do sangramento.
Alteração no aspecto das fezes: mudanças persistentes no formato ou na consistência das fezes podem ocorrer quando o tumor interfere na passagem do conteúdo intestinal.
Dor ou desconforto abdominal: cólicas, distensão abdominal ou desconforto recorrente podem aparecer, embora tenham muitas outras causas possíveis.
Sensação de evacuação incompleta: a pessoa pode continuar sentindo necessidade de evacuar mesmo depois de ir ao banheiro.
Cansaço ou fraqueza: pequenas perdas de sangue ao longo do tempo podem provocar anemia e levar a cansaço, fraqueza ou falta de disposição.
Nenhum desses sinais, isoladamente, confirma o câncer, já que alterações semelhantes podem ocorrer em condições muito mais comuns, como hemorróidas, fissuras anais, infecções intestinais e síndrome do intestino irritável.
O que chama atenção é principalmente a persistência ou a mudança em relação ao padrão habitual sem que exista um motivo claro para isso.
Sintomas em fases mais avançadas
À medida que o tumor cresce, os sintomas podem se tornar mais intensos. A doença também pode causar manifestações relacionadas à obstrução intestinal, perda de sangue ou disseminação para outros órgãos.
Entre os sinais possíveis estão:
Dor abdominal mais intensa ou persistente: pode ocorrer quando o tumor cresce ou provoca alterações no funcionamento do intestino.
Obstrução intestinal: pode provocar distensão abdominal importante, cólicas, vômitos e dificuldade para eliminar fezes ou gases.
Perda de peso sem explicação: a perda involuntária de peso pode ocorrer em doenças mais avançadas, embora também tenha diversas outras causas.
Anemia: a perda crônica de sangue pode resultar em anemia significativa, acompanhada de cansaço, palidez, tontura ou falta de ar.
Fraqueza progressiva: a combinação de anemia, redução da ingestão alimentar e efeitos da própria doença pode comprometer o estado geral.
Sintomas relacionados à disseminação: quando o câncer se espalha, os sintomas dependem do órgão afetado. O fígado e os pulmões estão entre os locais que podem ser atingidos pelo câncer colorretal metastático.
É importante não esperar que os sintomas se tornem intensos para procurar avaliação. O câncer colorretal pode ser identificado antes do aparecimento de manifestações mais graves por meio do rastreamento indicado para determinadas faixas etárias e grupos de risco.
O que causa câncer no intestino?
Não existe uma única causa de câncer no intestino. A doença resulta do acúmulo de alterações genéticas nas células, e diferentes fatores podem aumentar a probabilidade de que essas alterações ocorram ou de que células anormais sobrevivam e se multipliquem.
Entre os principais fatores associados ao câncer colorretal estão:
Idade: o risco aumenta com o envelhecimento, embora pessoas mais jovens também possam desenvolver a doença.
Histórico familiar: ter parentes próximos com câncer colorretal ou determinados tipos de pólipos aumenta o risco.
Predisposição genética: síndromes hereditárias, como a síndrome de Lynch e a polipose adenomatosa familiar, estão associadas a um risco elevado.
Doenças inflamatórias intestinais: pessoas com doença de Crohn ou retocolite ulcerativa podem apresentar maior risco de câncer colorretal, principalmente após muitos anos de doença.
Alimentação: o consumo frequente de carnes processadas está associado a maior risco, enquanto padrões alimentares com maior presença de fibras, frutas, vegetais e grãos integrais estão associados a menor risco.
Excesso de peso e obesidade: o excesso de tecido adiposo está relacionado a alterações metabólicas e inflamatórias que podem contribuir para o desenvolvimento de alguns tipos de câncer.
Sedentarismo: a baixa atividade física está associada a maior risco de câncer colorretal.
Álcool: o consumo de bebidas alcoólicas está relacionado ao aumento do risco, especialmente quando é frequente ou elevado.
Tabagismo: fumar está associado a maior probabilidade de desenvolver câncer colorretal e outros tipos de câncer.
Ter um ou mais desses fatores não significa que uma pessoa desenvolverá câncer. Da mesma forma, pessoas sem fatores de risco conhecidos também podem apresentar a doença.
Qual exame detecta câncer no intestino?
Não existe um único exame que seja adequado para todas as pessoas. A escolha depende da idade, dos sintomas, do histórico familiar, de fatores de risco e do motivo pelo qual o exame está sendo realizado.
Colonoscopia
A colonoscopia permite examinar diretamente o interior do reto e do cólon com uma câmera acoplada a um tubo flexível. Durante o procedimento, o médico pode identificar lesões suspeitas, retirar pólipos e coletar fragmentos de tecido para análise.
Essa capacidade de visualizar a mucosa e obter material para biópsia faz da colonoscopia um dos principais exames para investigar uma suspeita de câncer colorretal. O diagnóstico definitivo de câncer, porém, depende da análise do tecido pelo patologista.
A colonoscopia também pode ser utilizada no rastreamento, dependendo das recomendações adotadas e do perfil de risco da pessoa.
Pesquisa de sangue oculto nas fezes
O exame de sangue oculto nas fezes procura pequenas quantidades de sangue que não são visíveis a olho nu. Ele pode ser usado como método de rastreamento do câncer colorretal porque alguns tumores e pólipos podem sangrar.
Mas é importante sempre destacar que um resultado positivo não significa que a pessoa tenha câncer. Hemorróidas, pólipos e outras condições também podem provocar sangramento.
Quando o teste indica sangue nas fezes, geralmente é necessário realizar uma investigação complementar, frequentemente com colonoscopia.
Outros exames de imagem e exames complementares
Dependendo da situação, o médico pode solicitar outros exames para avaliar o intestino, esclarecer uma alteração encontrada ou verificar se a doença se espalhou.
Entre eles podem estar exames de imagem, como tomografia computadorizada e ressonância magnética, além de exames laboratoriais. Alguns marcadores sanguíneos podem ser utilizados para acompanhar a doença, mas não substituem a colonoscopia nem a análise do tecido para estabelecer o diagnóstico.
Rastreamento é diferente de investigação
Essa diferença é importante porque um exame de rastreamento é realizado em pessoas que não apresentam sintomas, com o objetivo de identificar câncer ou alterações que possam levar ao câncer antes que a doença seja percebida clinicamente.
Já quando uma pessoa apresenta sangue nas fezes, anemia sem causa definida ou uma mudança persistente no hábito intestinal, o objetivo passa a ser investigar uma possível causa para os sintomas.
Portanto, não é necessário esperar o aparecimento de sintomas para discutir o rastreamento quando ele é recomendado para a faixa etária ou para o grupo de risco da pessoa.
Formas de tratamento
O tratamento depende principalmente do local do tumor, do estágio da doença, das características biológicas do câncer e das condições gerais de saúde do paciente.
A cirurgia é uma das principais formas de tratamento quando o tumor pode ser removido. Dependendo da localização e da extensão da doença, pode ser necessário retirar uma parte do intestino e os linfonodos próximos.
A quimioterapia utiliza medicamentos capazes de destruir ou impedir a multiplicação das células cancerosas. Ela pode ser indicada antes ou depois da cirurgia e também pode fazer parte do tratamento quando a doença está avançada.
A radioterapia utiliza radiação para destruir células tumorais e tem papel particularmente importante em alguns casos de câncer do reto.
Existem ainda tratamentos direcionados a características específicas do tumor. A terapia-alvo atua sobre determinadas alterações presentes nas células cancerosas, enquanto a imunoterapia estimula o sistema imunológico a reconhecer e combater o tumor. Esses tratamentos não são indicados para todos os pacientes e dependem das características do câncer.
Em alguns casos, diferentes estratégias são combinadas para aumentar as chances de controle da doença.
É possível prevenir o câncer no intestino?
Não é possível evitar todos os casos de câncer colorretal, mas algumas medidas podem reduzir o risco. A atividade física regular, a manutenção de um peso adequado, a redução do consumo de álcool e a interrupção do tabagismo fazem parte de uma estratégia de prevenção.
A alimentação também tem papel importante. Um padrão alimentar com maior presença de fibras, frutas, verduras, legumes e grãos integrais e menor consumo de carnes processadas está associado a um perfil de risco mais favorável.
Outra medida fundamental é o rastreamento, já que alguns tumores colorretais se desenvolvem a partir de pólipos que podem ser identificados e removidos antes de se transformarem em câncer. Por isso, seguir as recomendações de rastreamento de acordo com a idade e os fatores de risco pode reduzir a mortalidade e, em determinadas situações, prevenir o desenvolvimento da doença.
A indicação e a frequência dos exames não são iguais para todas as pessoas. Quem apresenta histórico familiar importante, doença inflamatória intestinal ou uma síndrome genética associada ao câncer colorretal pode precisar começar o acompanhamento mais cedo ou realizar exames com maior frequência.

