A palavra trombose costuma aparecer associada a situações bastante diferentes, desde uma perna inchada depois de uma viagem longa até emergências como a embolia pulmonar.
Embora o termo seja conhecido, ainda existem muitas dúvidas sobre o que exatamente acontece quando uma pessoa desenvolve um trombo, por que isso ocorre e quem está mais vulnerável.
A trombose acontece quando um coágulo de sangue, chamado trombo, se forma dentro de um vaso sanguíneo e interfere na circulação. Ela pode ocorrer em veias ou artérias e, dependendo de onde o coágulo se forma e para onde ele se desloca, pode provocar complicações graves.
O que é trombose?
A coagulação do sangue é um mecanismo normal e necessário para o organismo. Quando um vaso sanguíneo sofre uma lesão, por exemplo, uma série de reações faz com que o sangue forme um coágulo, ajudando a conter o sangramento.
O problema ocorre quando esse processo acontece dentro de um vaso sanguíneo sem que exista uma lesão que precise ser reparada, ou quando o coágulo é grande o suficiente para dificultar ou interromper o fluxo de sangue.
Esse coágulo é chamado de trombo, e a formação de um trombo dentro de um vaso é chamada de trombose.
A trombose pode ocorrer tanto em veias quanto em artérias. A trombose venosa profunda, conhecida pela sigla TVP, é uma das formas mais conhecidas e geralmente afeta as veias profundas das pernas. Já os coágulos que se formam nas artérias podem bloquear o fornecimento de sangue a diferentes órgãos e estão relacionados a eventos como infarto e acidente vascular cerebral.
Como se forma um trombo?
A formação de um trombo pode resultar da combinação de diferentes alterações no sangue e nos vasos sanguíneos.
Três mecanismos são particularmente importantes:
Diminuição ou estagnação do fluxo sanguíneo
Lesão na parede do vaso
Essa combinação é conhecida como tríade de Virchow.
É por isso que períodos prolongados de imobilidade podem aumentar o risco de trombose. Quando uma pessoa permanece muitas horas sentada ou deitada, o sangue pode circular mais lentamente, principalmente nas veias das pernas.
Cirurgias e traumas também podem contribuir para a formação de coágulos, tanto pela lesão dos vasos quanto pela redução da mobilidade durante a recuperação.
Em algumas pessoas, o próprio sangue apresenta uma tendência maior à coagulação. Isso pode acontecer por alterações hereditárias ou adquiridas, por determinados tipos de câncer, durante a gravidez e em outras condições que aumentam o risco de trombose.
Medicamentos que contêm estrogênio, como alguns anticoncepcionais hormonais e terapias hormonais, também podem aumentar o risco em determinadas pessoas.
Sintomas da trombose
Os sintomas dependem principalmente de onde o trombo está localizado.
Na trombose venosa profunda, que geralmente ocorre em uma das pernas, os sinais podem incluir:
Inchaço
Dor ou sensibilidade
Sensação de calor na região
Vermelhidão ou alteração da coloração da pele
A intensidade dos sintomas pode variar. Algumas pessoas apresentam sinais evidentes, enquanto outras podem ter poucos sintomas ou até não perceber que existe um coágulo.
Um dos principais riscos da trombose venosa profunda é que parte do trombo se desprenda e viaje pela circulação até os pulmões. Quando isso acontece, pode ocorrer uma embolia pulmonar.
A embolia pulmonar pode causar falta de ar repentina, dor no peito, respiração acelerada, palpitações, tontura ou desmaio. Dependendo da extensão da obstrução, pode ser uma situação potencialmente grave e exigir atendimento médico imediato.
Por isso, uma pessoa que apresenta falta de ar súbita, dor no peito ou desmaio deve procurar atendimento de emergência, especialmente quando esses sintomas aparecem junto a fatores de risco para trombose.
Tipos de tratamento
O tratamento depende do tipo de trombose, da localização do coágulo e das condições de saúde da pessoa.
Os anticoagulantes são os medicamentos mais utilizados para tratar a trombose venosa profunda e a embolia pulmonar. Eles impedem que o coágulo cresça e reduzem o risco de novos trombos, enquanto o organismo elimina o coágulo existente.
Existem diferentes tipos de anticoagulantes, e a escolha depende da situação clínica. O tratamento também pode durar períodos diferentes. Algumas pessoas precisam utilizar o medicamento durante alguns meses, enquanto outras podem necessitar de tratamento por mais tempo.
Enoxaparina: anticoagulante da classe das heparinas de baixo peso molecular, administrado por via subcutânea.
Varfarina: anticoagulante oral que interfere na ação da vitamina K. Seu efeito precisa ser acompanhado regularmente por exames de sangue.
Anticoagulantes orais diretos: incluem apixabana, rivaroxabana, dabigatrana e edoxabana. São administrados por via oral e não costumam exigir o monitoramento rotineiro da coagulação necessário com a varfarina.
Em casos específicos, podem ser utilizados trombolíticos, que dissolvem o coágulo, ou procedimentos para removê-lo.
A escolha do tratamento deve ser feita individualmente, considerando os riscos e benefícios para cada pessoa.
É possível prevenir a trombose?
Nem todos os casos podem ser evitados, mas algumas medidas reduzem o risco. Evitar longos períodos de imobilidade é uma delas, especialmente durante viagens ou após cirurgias.
Pessoas com maior risco podem precisar de medidas preventivas específicas, como anticoagulantes ou métodos de compressão. A indicação é feita por um médico, após a avaliação do histórico familiar e de saúde, além de exames laboratoriais.
Quem já teve trombose tem mais risco de ter de novo?
O risco depende, entre outros fatores, da causa da primeira trombose. Quando ela está relacionada a um fator temporário, como uma cirurgia ou imobilização, o risco pode ser diferente daquele observado quando não há uma causa evidente ou existem fatores de risco persistentes.
Por isso, a duração do tratamento com anticoagulantes varia entre as pessoas. Em alguns casos, ele é mantido por alguns meses; em outros, pode ser necessário por mais tempo.

