Dor de garganta, rouquidão e dificuldade para engolir são problemas que aparecem com frequência e, na maioria das vezes, têm causas bem menos sérias do que um câncer. Mas ele existe, e está associado a fatores de risco bastante comuns.
O câncer de garganta pode se desenvolver em diferentes estruturas da faringe e da laringe, e a localização do tumor determina em grande parte como a doença vai se manifestar. Uma lesão nas cordas vocais, por exemplo, tende a alterar a voz, enquanto um tumor em outras regiões pode causar dificuldade para engolir, dor ou alterações na respiração.
No Brasil, o câncer de laringe representa uma parcela importante dos tumores da cabeça e do pescoço. Para os próximos três anos, o Instituto Nacional de Câncer estima 8.510 novos casos no país. A doença é mais frequente em homens e tem forte associação com o tabagismo e o consumo de bebidas alcoólicas.
Sintomas de câncer na garganta
A forma como o câncer se manifesta depende principalmente do local onde ele começou. Nos tumores da glote, região que contém as cordas vocais, a rouquidão pode aparecer relativamente cedo. Já os tumores supraglóticos, localizados acima das cordas vocais, podem provocar inicialmente dor ou dificuldade para engolir.
Entre os sintomas que podem ocorrer estão:
Rouquidão ou alteração persistente da voz
Dor de garganta que não desaparece
Dor ou dificuldade para engolir
Sensação de algo preso na garganta
Tosse persistente
Dor de ouvido sem causa aparente
Dificuldade para respirar
Sangue na saliva ou no catarro
Perda de peso sem explicação
A rouquidão merece atenção especial quando persiste por mais de três semanas, principalmente em pessoas que fumam.
Em alguns casos, o primeiro sinal percebido pode estar no pescoço. Isso acontece quando o câncer se espalha para os linfonodos cervicais, que aumentam de tamanho e podem formar uma massa palpável.
Como começa o câncer de garganta?
O desenvolvimento do câncer, ou tumores malignos, começa quando células que possuem alterações no DNA passam a se multiplicar de forma descontrolada. Com o tempo, essas células podem formar uma massa e invadir tecidos próximos.
Essas mutações no DNA podem ser causadas por diferentes fatores, sendo o tabagismo e o consumo de bebidas alcoólicas alguns dos principais no caso do câncer de garganta. Em determinados tumores da orofaringe, a infecção persistente pelo HPV também pode estar envolvida.
Mas, independentemente do agente causador, o câncer se desenvolve quando essas alterações fazem com que as células percam o controle sobre sua multiplicação. Conforme o tumor cresce, ele pode invadir tecidos próximos e, em estágios mais avançados, se espalhar para outras partes do organismo.
O que causa câncer de garganta?
Além do tabagismo, do álcool e do HPV, que estão entre os principais fatores envolvidos no desenvolvimento desses tumores, outros elementos também podem aumentar o risco da doença.
Entre eles estão:
Exposição ocupacional a substâncias carcinogênicas, especialmente em algumas atividades industriais
Exposição ao amianto
Idade avançada
Excesso de gordura corporal
Predisposição genética
O risco não é determinado por um único fator. A combinação de diferentes exposições e características individuais pode contribuir para o desenvolvimento do câncer, enquanto algumas pessoas podem apresentar a doença mesmo sem fatores de risco conhecidos.
Como é feito o diagnóstico?
A investigação começa com o exame da garganta, da boca e do pescoço. Quando há suspeita de uma lesão na laringe, a laringoscopia permite visualizar a região e as cordas vocais.
A confirmação depende da biópsia, que consiste na retirada de uma amostra da lesão para análise em laboratório. Depois do diagnóstico, exames como tomografia e ressonância magnética ajudam a determinar o tamanho do tumor e se ele atingiu estruturas próximas ou os linfonodos. Outros exames podem ser necessários para verificar a presença de metástases.
Com esses dados, é definido o estágio do câncer, informação essencial para escolher o tratamento e avaliar o prognóstico.
Tratamentos disponíveis
O tratamento varia principalmente conforme a localização e o estágio do tumor. Entre as opções estão
Cirurgia
Radioterapia
Quimioterapia
Imunoterapia
Terapias-alvo
Em tumores pequenos da laringe, a cirurgia endoscópica ou a radioterapia podem ser suficientes. Nos casos mais avançados, diferentes tratamentos podem ser combinados, inclusive com o objetivo de preservar a laringe quando isso é possível sem comprometer o controle da doença.
Quando o tumor compromete extensamente a laringe, pode ser necessária uma laringectomia total, que remove o órgão e faz com que a respiração passe a ocorrer por uma abertura permanente no pescoço. Como as cordas vocais também são removidas, a pessoa precisa passar por reabilitação para recuperar uma forma de comunicação oral.
Câncer de garganta tem cura?
O câncer de garganta pode ter cura, principalmente quando é diagnosticado antes de se espalhar para outras regiões. As chances variam conforme o tipo e a localização do tumor, seu estágio e a resposta ao tratamento.
Nos cânceres da orofaringe relacionados ao HPV, o prognóstico costuma ser mais favorável do que nos tumores não relacionados ao vírus. Já nos cânceres de laringe, a localização do tumor e sua extensão são especialmente importantes para determinar as possibilidades de tratamento e preservação da laringe.
Nos cânceres de laringe, tumores pequenos e restritos às cordas vocais geralmente têm mais possibilidades de tratamento curativo e podem ser tratados com técnicas que preservam a laringe. Já doenças mais avançadas podem exigir tratamentos mais agressivos e apresentar menor possibilidade de cura.
Por isso, o prognóstico só pode ser estimado depois que o tipo e o estágio do câncer são determinados.

