Muitas pessoas tratam a gripe como um problema simples, capaz de causar apenas alguns dias de febre, dor no corpo e indisposição. Embora isso seja verdade para a maioria dos casos, a influenza está longe de ser apenas um resfriado mais forte. Todos os anos, o vírus é responsável por milhares de internações e mortes, especialmente entre pessoas mais vulneráveis.
A gravidade da doença depende de diversos fatores, como idade, presença de doenças crônicas e resposta do sistema imunológico. Além disso, mesmo pessoas previamente saudáveis podem desenvolver complicações, embora isso seja menos comum.
Entender quando a influenza pode representar um risco maior e por que a vacinação continua sendo a principal forma de prevenção é fundamental para reduzir as complicações da doença.
O que é a influenza?
A influenza é uma infecção respiratória causada pelos vírus influenza, principalmente os tipos A e B, responsáveis pelas epidemias sazonais que ocorrem todos os anos. A transmissão acontece por meio de gotículas eliminadas quando uma pessoa infectada fala, tosse ou espirra, além do contato com superfícies contaminadas seguido do toque nos olhos, nariz ou boca.
Depois de entrar no organismo, o vírus infecta as células das vias respiratórias e desencadeia uma resposta inflamatória. É essa reação do sistema imunológico que provoca muitos dos sintomas característicos da gripe, como febre, dores musculares e sensação de cansaço intenso.
Na maioria das pessoas, a recuperação ocorre em cerca de uma semana. No entanto, quando a infecção compromete os pulmões ou agrava doenças já existentes, a evolução pode ser mais grave.
Quando a influenza deixa de ser uma gripe comum?
Na maioria das pessoas, a influenza causa um quadro de febre, dores no corpo, tosse e indisposição que melhora espontaneamente em alguns dias. No entanto, a doença pode deixar de ser uma gripe comum quando a infecção evolui para complicações ou desencadeia o agravamento de problemas de saúde já existentes.
Isso acontece porque o vírus influenza não afeta apenas as vias respiratórias superiores. Em alguns casos, ele pode atingir os pulmões, provocando inflamação intensa e comprometendo a respiração.
Além disso, a infecção pode enfraquecer as defesas do organismo e facilitar o surgimento de infecções bacterianas secundárias, como a pneumonia.
O risco de evolução grave também é maior em pessoas que pertencem aos grupos de risco, como idosos, gestantes, crianças pequenas e pacientes com doenças crônicas. Nesses casos, uma gripe que inicialmente parece simples pode exigir atendimento médico, internação e, em situações mais graves, tratamento em unidade de terapia intensiva.
Embora a maioria dos pacientes se recupere sem complicações, é importante não subestimar a influenza. O reconhecimento precoce dos sinais de gravidade e a vacinação anual são as principais estratégias para reduzir o risco de hospitalização e morte.
Por que a influenza pode ser perigosa?
Em algumas pessoas, o vírus provoca uma inflamação intensa das vias respiratórias e dos pulmões, dificultando a troca de oxigênio. Além disso, a infecção pode facilitar a entrada de bactérias, aumentando o risco de pneumonias secundárias.
A influenza também pode agravar doenças que já existiam antes da infecção. Pessoas com insuficiência cardíaca, asma, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e diabetes, por exemplo, apresentam maior risco de descompensação durante um episódio de gripe.
Entre as principais complicações estão:
Pneumonia causada pelo próprio vírus influenza
Pneumonia bacteriana secundária
Agravamento da asma e da DPOC
Descompensação de doenças cardíacas
Insuficiência respiratória
Necessidade de internação hospitalar
Nos casos mais graves, essas complicações podem levar à internação em unidade de terapia intensiva (UTI) e aumentar o risco de morte.
Quais sinais indicam que é hora de procurar atendimento médico?
A maioria das pessoas consegue se recuperar em casa. Entretanto, alguns sinais podem indicar que a doença está evoluindo para uma complicação e exigem avaliação médica o quanto antes.
Os principais sinais de alerta são:
Falta de ar ou dificuldade para respirar
Dor ou pressão no peito
Febre que persiste por vários dias ou retorna após um período de melhora
Confusão mental ou dificuldade para despertar
Sonolência excessiva
Lábios ou extremidades arroxeados
Sinais de desidratação, como boca seca e redução importante da urina
Em crianças, também merecem atenção sintomas como dificuldade para mamar, irritabilidade intensa, respiração acelerada e diminuição do nível de consciência.
Como é feito o tratamento?
O tratamento depende da gravidade da doença, da idade do paciente e da presença de fatores de risco. Na maioria dos casos, o objetivo é aliviar os sintomas e dar suporte ao organismo enquanto o sistema imunológico elimina o vírus.
As principais medidas incluem:
Repouso durante a fase mais intensa da doença
Hidratação adequada para evitar desidratação
Uso de analgésicos simples e antitérmicos para controlar febre e dores
Alimentação leve conforme a tolerância do paciente
Em algumas situações, o médico pode indicar o uso de antivirais, como o oseltamivir. Esse medicamento é recomendado principalmente para pessoas que fazem parte dos grupos de risco e pacientes hospitalizados. Quando iniciado nas primeiras 48 horas após o início dos sintomas, ele tende a apresentar melhores resultados, embora também possa ser útil em alguns casos graves iniciados posteriormente.
Já os antibióticos não fazem parte do tratamento da influenza, pois não têm ação contra vírus. Eles só são indicados quando existe suspeita ou confirmação de uma infecção bacteriana associada.
Influenza e resfriado são a mesma doença?
Apesar de muitas pessoas usarem os termos como sinônimos, gripe e resfriado são doenças diferentes. Ambas são causadas por vírus respiratórios, mas o vírus influenza costuma provocar sintomas mais intensos e um risco muito maior de complicações.
O resfriado geralmente começa de forma gradual e costuma causar coriza, espirros e congestão nasal, com pouco impacto sobre o estado geral da pessoa. Já a gripe costuma surgir de maneira abrupta e pode deixar o paciente bastante debilitado logo nas primeiras horas.
Por que a vacinação é tão importante?
A vacinação continua sendo a forma mais eficaz de prevenir as formas graves da influenza. Embora ela não impeça todos os casos de gripe, reduz significativamente o risco de complicações, hospitalizações e mortes relacionadas à doença.
Outro ponto importante é que o vírus influenza sofre mutações frequentes. Por esse motivo, a composição da vacina é atualizada todos os anos para acompanhar as variantes com maior circulação no mundo.
Isso explica por que a vacinação anual é recomendada mesmo para quem recebeu a dose no ano anterior.

