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Esclerose lateral amiotrófica (ELA): Tipos, tratamentos e expectativa de vida

Neste artigo

    A esclerose lateral amiotrófica (ELA) é uma doença neurodegenerativa progressiva que afeta os neurônios motores, células responsáveis por transmitir os comandos do cérebro e da medula espinhal para os músculos. 

    À medida que esses neurônios deixam de funcionar, ocorre perda gradual da força muscular, dificultando movimentos como caminhar, levantar objetos, falar, engolir e respirar.

    Embora possa ocorrer em adultos de diferentes idades, a ELA é mais frequente entre os 55 e os 75 anos. Ainda não existe cura para a doença, mas os avanços na pesquisa permitiram o desenvolvimento de medicamentos que podem retardar sua progressão. 

    Além disso, o acompanhamento por uma equipe multidisciplinar ajuda a controlar sintomas, preservar a autonomia e melhorar a qualidade de vida.

    A ELA é uma doença neurodegenerativa progressiva com diferentes formas de apresentação, tratamentos e prognóstico.

    Quais são os tipos de ELA?

    Os médicos costumam classificar a ELA de duas formas. Uma delas considera a origem da doença, dividindo os casos em esporádicos e familiares. A outra leva em conta a região do corpo onde surgem os primeiros sintomas, distinguindo as formas de início nos membros e de início bulbar.

    ELA esporádica

    A ELA esporádica representa entre 90 e 95% dos casos. Ela ocorre em pessoas sem histórico familiar conhecido da doença e sua causa exata ainda não foi completamente esclarecida. 

    Pesquisadores acreditam que fatores genéticos, ambientais e relacionados ao envelhecimento possam contribuir para seu desenvolvimento.

    ELA familiar

    A ELA familiar corresponde a aproximadamente 5 a 10% dos casos e está associada a alterações genéticas herdadas. Entre os genes mais frequentemente envolvidos estão SOD1, C9orf72, TARDBP e FUS. A identificação dessas mutações pode auxiliar no aconselhamento genético e, em alguns casos, orientar a escolha do tratamento.

    ELA de início nos membros

    Também chamada de ELA espinhal, essa é a forma mais comum de apresentação da doença. Os primeiros sintomas costumam surgir nos braços ou nas pernas, causando perda de força, dificuldade para realizar tarefas do dia a dia, tropeços frequentes e redução da coordenação motora. 

    Com o tempo, a fraqueza muscular se espalha para outras regiões do corpo.

    ELA de início bulbar

    Na ELA de início bulbar, os primeiros sintomas afetam os músculos responsáveis pela fala e pela deglutição. Alterações na voz, dificuldade para pronunciar palavras, engasgos frequentes e dificuldade para mastigar costumam aparecer antes do comprometimento mais evidente dos membros.

    Tende a progredir mais rápido que a ELA de início nos membros, e está associada à uma expectativa de vida mais curta.

    Como é o tratamento da ELA?

    O tratamento da ELA combina medicamentos capazes de retardar a progressão da doença com medidas de suporte que ajudam a preservar funções importantes e reduzir complicações. Como as necessidades variam entre os pacientes, o acompanhamento costuma envolver neurologistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas, terapeutas ocupacionais, psicólogos e outros profissionais da saúde.

    Tratamento medicamentoso

    Os medicamentos atualmente disponíveis atuam por mecanismos diferentes e podem ser indicados conforme as características de cada paciente.

    • Riluzol reduz a atividade do glutamato, um neurotransmissor que, em excesso, pode contribuir para a lesão dos neurônios motores. Estudos mostram que o medicamento pode prolongar discretamente a sobrevida e retardar a necessidade de suporte ventilatório. Por esse motivo, costuma ser iniciado logo após o diagnóstico.

    • Edaravona atua reduzindo o estresse oxidativo, um dos processos envolvidos na degeneração dos neurônios motores. Alguns estudos mostram que o medicamento pode desacelerar a perda da função física em parte dos pacientes, principalmente quando iniciado nas fases iniciais da doença.

    • Tofersen foi desenvolvido para pessoas com mutações no gene SOD1, responsáveis por uma pequena parcela dos casos familiares de ELA. O medicamento reduz a produção da proteína SOD1 alterada, associada à degeneração dos neurônios motores, e representa um importante avanço da medicina de precisão. Como esse tratamento beneficia apenas pacientes com essa mutação genética, sua indicação depende da realização de testes específicos.

    A ELA é uma doença neurodegenerativa progressiva com diferentes formas de apresentação, tratamentos e prognóstico.

    Tratamentos de suporte

    Os tratamentos de suporte são fundamentais desde o diagnóstico e contribuem para manter a independência, controlar sintomas e melhorar a qualidade de vida. As principais estratégias incluem as seguintes.

    • Fisioterapia ajuda a preservar a mobilidade, manter a flexibilidade das articulações, reduzir dores e prevenir contraturas.

    • Fonoaudiologia auxilia na manutenção da fala e da deglutição. Quando a comunicação se torna difícil, recursos de comunicação alternativa podem facilitar a interação com familiares e profissionais de saúde.

    • Acompanhamento nutricional contribui para prevenir a perda de peso e garantir ingestão adequada de calorias e nutrientes. Em fases mais avançadas, alguns pacientes podem se beneficiar da alimentação por gastrostomia.

    • Terapia ocupacional orienta adaptações nas atividades do dia a dia e recomenda dispositivos que ajudam a preservar a independência por mais tempo.

    • Suporte respiratório pode incluir ventilação não invasiva quando os músculos responsáveis pela respiração começam a perder força. Essa abordagem ajuda a aliviar sintomas respiratórios e pode aumentar a sobrevida.

    • Apoio psicológico e cuidados paliativos oferecem suporte emocional ao paciente e à família, auxiliam no controle dos sintomas e ajudam no planejamento do cuidado ao longo da evolução da doença.

    Qual é a expectativa de vida na ELA?

    A evolução da ELA varia bastante entre os pacientes. Em média, a expectativa de vida após o diagnóstico fica entre três e cinco anos, embora essa estimativa não represente todos os casos.

    Diversos fatores influenciam o prognóstico, incluindo a idade no momento do diagnóstico, a velocidade de progressão da doença, o comprometimento respiratório, o estado nutricional e o acesso ao tratamento especializado.

    Algumas pessoas apresentam evolução mais lenta e vivem por muitos anos com a doença. Estima-se que cerca de 10% dos pacientes sobrevivam por mais de dez anos após o diagnóstico. O diagnóstico precoce, o início do tratamento e o acompanhamento por uma equipe multidisciplinar contribuem para controlar complicações e favorecer uma melhor qualidade de vida ao longo da evolução da ELA.

    Referências ▼

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