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Ebola é preocupante? Entenda o que é, sintomas e possíveis tratamentos

Neste artigo

    As febres hemorrágicas são doenças que mobilizam tanto medo como fascínio, sendo inclusive tema de filmes, livros e séries. Nos últimos meses, uma dessas doenças que vem tomando vidas é o Ebola, principalmente na República Democrática do Congo e Uganda.

    O vírus ataca principalmente as células que revestem os vasos sanguíneos e o fígado, e também tem a capacidade de fugir do sistema imune.

    Outro ponto importante de ser destacado é que o vírus Ebola tem diferentes tipos, com taxas de letalidade que podem chegar a 90%:

    • Ebola Zaire, ou Orthoebolavirus zairense. Esse é considerado o mais letal, levando a morte entre 83 e 90% dos infectados

    • Ebola Sudão, ou Orthoebolavirus sudanense. Apresenta mortalidade média em torno de 54%

    • Ebola Bosque Tai, ou Orthoebolavirus taiense. Esse tipo tem uma letalidade aparentemente menor, mas ainda sem uma cifra definitiva devido a pouca quantidade de casos

    • Ebola Bundibugyo, ou Orthoebolavirus bundibugyoense. A taxa de letalidade oscila entre 25% e 50%, sendo a cepa monitorada no surto mais recente

    • Ebola Reston, ou Orthoebolavirus restonense, que até o momento causa a doença apenas em primatas não humanos

    • Ebola Bombali, ou Orthoebolavirus bombaliense, um tipo recentemente identificado entre morcegos

    Surtos de Ebola preocupam o mundo. Entenda sintomas, contágio e tratamentos, e se você deve se preocupar.

    Sintomas do Ebola

    Os primeiros sintomas aparecem entre dois e 21 dias após a infecção pelo vírus. Inicialmente, o quadro pode ser confundido com viroses mais simples, pois os sintomas são inespecíficos e muitas vezes leves:

    • Dores musculares

    • Dor de cabeça

    • Dor de garganta

    • Tosse

    • Vermelhidão nos olhos

    • Sensibilidade à luz

    • Erupções cutâneas 

    Nessa fase inicial aparece também o sintoma mais característico da doença: o sangramento, que comumente acomete boca, nariz e pele (na forma de hematomas e manchas vermelhas).

    Após alguns dias, os sintomas mais graves surgem:

    • Piora do sangramento, que pode atingir órgãos internos

    • Dor abdominal

    • Amarelamento da pele e da parte branca dos olhos (icterícia)

    • Vômito e diarreia intensos, que podem levar a desidratação severa

    • Confusão mental e delírio

    • Coma

    O diagnóstico do Ebola é feito por um médico, normalmente um infectologista ou clínico geral, através da avaliação dos sintomas, histórico de contato com animais ou pessoas infectadas, ou viagem para locais endêmicos.

    A partir da suspeita, é possível solicitar exames de identificação do vírus, que podem ser feitos com coleta de sangue ou urina.

    Como é a transmissão do Ebola?

    O Ebola não é um vírus transmitido pelo ar, o que diminui a possibilidade de transmissão a larga escala. O contágio exige contato direto com pacientes infectados:

    • Manuseio de animais infectados vivos ou mortos 

    • Contato com a pele ou com líquidos corporais de uma pessoa infectada sintomática

    • Contato com pacientes ou líquidos corporais de pacientes infectados falecidos

    • Manuseio de objetos contaminados com fluídos corporais de pacientes ou animais infectados 

    • Contato sexual com pessoas infectadas

    • Transmissão vertical, quando uma gestante infectada transmite o vírus para o bebê em seu útero 

    Outro ponto a ter em mente é que a pessoa só começa a infectar outros após o início dos sintomas. Isso de certa forma facilita a prevenção, pois uma vez identificados os casos, medidas de isolamento e higiene diminuem muito o risco de transmissão.

    Formas de tratar o Ebola

    O tratamento do Ebola, independente do tipo, é essencial para reduzir a mortalidade, e pode ser dividido em dois tipos: cuidados de suporte e tratamento com anticorpos.

    Suporte:

    • Reposição de líquidos e eletrólitos, uma vez que a hemorragia e a diarréia podem causar choque e, se não tratado, morte

    • Uso de fatores de coagulação, para minimizar o sangramento

    • Uso de analgésicos, em caso de dor

    • Evitar procedimentos invasivos que possam causar novos sangramentos

    Anticorpos:

    • Para o vírus Ebola Zaire, foram desenvolvidos dois tratamentos com anticorpos monoclonais, REGN-EB3 e mAb114

    • A eficácia desses tratamentos depende da carga viral, então quanto mais cedo iniciado, maior a taxa de sucesso 

    Além disso, existem estudos em andamento sobre o uso de medicamentos antivirais, mas ainda sem resultados conclusivos.

    Porém, o tratamento dos casos confirmados é apenas uma parte do manejo da doença. São necessários, uma vez identificado um possível surto, alguns cuidados para evitar a propagação e minimizar as mortes:

    • Em áreas de circulação do vírus, todas as pessoas que tiveram algum tipo de contato com casos suspeitos devem ser rastreadas, para permitir o reconhecimento precoce dos casos suspeitos

    • Os pacientes com suspeita ou confirmação de infecção devem ser isolados, preferencialmente em um quarto individual

    • A higiene das mãos deve ser realizada com álcool em gel ou sabão e água corrente, utilizando-se a técnica correta

    • Devem ser usados EPI apropriados, com máscara e luvas, quando em contato com um caso suspeito ou confirmado

    • Nos centros de atendimento, as superfícies como mesa, corrimões, maçanetas e balcões, devem ser desinfectadas

    É preocupante?

    O Ebola é, de fato, uma doença gravíssima e que tem um grande impacto nos lugares onde ocorrem surtos. Então, olhando por esse lado, é sim preocupante.

    Porém, levando em conta o Brasil ou outros países sem surtos conhecidos, o nível de preocupação não deve ser tão alto. Basta ficar de olho nas notícias, para saber se há casos suspeitos e evitar contato próximo com pessoas que estiveram em zonas endêmicas no último mês. 

    Referências ▼

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