A bronquiolite é uma das infecções respiratórias que mais preocupam pais e profissionais de saúde, principalmente quando atinge bebês. Na maioria das vezes, ela começa como um resfriado comum, com nariz escorrendo, tosse leve e um pouco de febre.
O problema é que, em alguns casos, a doença evolui e passa a afetar os pulmões, causando dificuldade para respirar e exigindo hospitalização.
O principal responsável por esses quadros é o vírus sincicial respiratório, conhecido como VSR. Ele circula todos os anos e é extremamente contagioso. Embora muitas pessoas nunca tenham ouvido falar nele, esse vírus é uma das causas mais frequentes de internação respiratória em crianças pequenas.
Nos últimos anos, a medicina avançou em uma área que durante muito tempo parecia sem solução. Hoje já existem vacinas capazes de reduzir significativamente o risco de formas graves da doença associada ao VSR, incluindo a bronquiolite. Esse avanço muda a forma como médicos e sistemas de saúde pensam a prevenção dessas infecções.
O que é o vírus sincicial respiratório?
O VSR é um vírus que infecta as vias aéreas e se espalha com facilidade por meio de gotículas respiratórias, como acontece com muitos vírus que causam resfriados e gripes.
Em adultos saudáveis e crianças mais velhas, a infecção costuma ser leve, e muitas vezes a pessoa sequer percebe que teve contato com o vírus. Os sintomas lembram um resfriado comum ou gripe e desaparecem em poucos dias.
A situação pode ser bem diferente em alguns grupos mais vulneráveis. Neles, o vírus pode atingir as vias respiratórias inferiores e provocar doenças mais sérias.
Entre as complicações mais associadas ao VSR estão:
Bronquiolite
Pneumonia
Agravamento de doenças respiratórias já existentes
Os grupos que apresentam maior risco de complicações incluem:
Bebês e crianças pequenas
Idosos
Pessoas com doenças cardíacas
Pessoas com doenças pulmonares
Indivíduos com sistema imunológico enfraquecido
Nos bebês, o vírus costuma atacar os bronquíolos, pequenas estruturas que levam o ar até os pulmões. Quando essas vias ficam inflamadas e cheias de secreção, a respiração se torna mais difícil. É isso que caracteriza a bronquiolite.
Existe vacina contra bronquiolite?
Atualmente já existem vacinas capazes de prevenir a bronquiolite e o agravamento de muitas doenças respiratórias. Mas, embora geralmente se fale em “vacina da bronquiolite”, na prática o que a imunização faz é proteger contra o principal vírus que provoca a doença, o VSR
Assim, a vacinação ajuda a reduzir significativamente esse risco, mesmo que o problema possa ser causado por outros vírus.
A estratégia de proteção não é exatamente a mesma para todos. Dependendo da idade e da situação clínica da pessoa, a vacinação pode acontecer de maneiras diferentes.
As abordagens mais utilizadas incluem:
Vacinação de adultos e idosos com maior risco de complicações
Vacinação de gestantes para proteger o bebê após o nascimento
Essa estratégia pode parecer curiosa à primeira vista, mas faz bastante sentido do ponto de vista imunológico. Ao vacinar a gestante, por exemplo, o organismo dela produz anticorpos que passam para o bebê ainda durante a gravidez. Assim, o recém-nascido já nasce com algum grau de proteção nos primeiros meses de vida.
Como funciona a vacina contra o VSR?
A vacina contra o vírus sincicial respiratório utiliza uma tecnologia chamada proteína recombinante. Em termos simples, isso significa que ela contém apenas uma pequena parte do vírus produzida em laboratório.
Essa parte isolada não tem capacidade de provocar a doença. O que ela faz é estimular o sistema imunológico a reconhecer o vírus.
Depois da vacinação, o organismo passa a produzir anticorpos específicos contra o VSR, criando uma espécie de memória imunológica. Assim, se a pessoa entrar em contato com o vírus verdadeiro no futuro, o corpo já saberá como reagir.
Esse mecanismo ajuda a reduzir o risco de infecções graves, hospitalizações e complicações respiratórias.
Quais vacinas contra o VSR existem?
Nos últimos anos, duas vacinas contra o vírus sincicial respiratório ganharam destaque:
Abrysvo: Essa vacina pode ser utilizada em gestantes e em alguns adultos. Quando aplicada durante a gravidez, permite que os anticorpos produzidos pela mãe atravessem a placenta e protejam o bebê nos primeiros meses de vida
Arexvy: Inicialmente, ela foi aprovada para pessoas com 60 anos ou mais, grupo que apresenta maior risco de complicações respiratórias associadas ao vírus
Mais recentemente, as autoridades sanitárias ampliaram a indicação desse imunizante para adultos a partir de 18 anos. A mudança amplia as possibilidades de prevenção em pessoas com fatores de risco para Doença do Trato Respiratório Inferior (DTRI) causada pelo VSR.
Quem deve tomar a vacina de bronquiolite?
A recomendação da vacina depende da idade, das condições de saúde e da avaliação médica individual.
De forma geral, os grupos que mais se beneficiam da imunização incluem:
Gestantes
Idosos
Adultos com doenças crônicas
Pessoas com maior risco de complicações respiratórias
No caso das gestantes, a vacinação ajuda a proteger o bebê durante os primeiros meses de vida, período em que o sistema imunológico ainda está amadurecendo.
Entre os adultos, a vacinação pode ser particularmente importante para pessoas com condições como:
Doenças cardíacas
Doenças pulmonares, como DPOC
Doenças hepáticas e renais crônicas
Obesidade
Imunossupressão
Esses fatores podem aumentar o risco de infecções respiratórias graves, tornando a prevenção ainda mais relevante.
Quantas doses são necessárias?
O esquema vacinal contra o VSR é simples, sendo necessário apenas uma dose da vacina, por via intramuscular no braço.
Os estudos mais recentes indicam que a proteção pode durar pelo menos duas temporadas de circulação do vírus. Ainda assim, pesquisadores continuam acompanhando os resultados para entender se será necessário aplicar doses de reforço no futuro.
A vacina contra bronquiolite é segura?
Os estudos clínicos realizados até agora mostram que as vacinas contra o vírus sincicial respiratório são seguras para a maioria das pessoas.
Os efeitos colaterais mais relatados são semelhantes aos de muitas outras vacinas e costumam ser leves, e incluem:
Dor no local da aplicação
Cansaço
Dor de cabeça
Dor muscular
Essas reações geralmente desaparecem em poucos dias e não costumam exigir tratamento específico.
Eventos adversos graves são considerados raros. Mesmo assim, como acontece com qualquer vacina, pessoas com histórico de alergia grave a algum componente do imunizante devem conversar com um profissional de saúde antes da aplicação.
A vacina elimina totalmente o risco de bronquiolite?
Nenhuma vacina consegue eliminar completamente o risco de infecção. O principal objetivo da vacinação é reduzir a probabilidade de quadros graves.
Na prática, isso significa que a pessoa vacinada pode até entrar em contato com o vírus, mas tende a desenvolver sintomas mais leves e apresentar menor risco de hospitalização.
Esse impacto é especialmente importante quando se fala em vírus respiratórios que circulam amplamente na população. Reduzir a gravidade da doença já representa um avanço significativo para a saúde pública.
E para bebês, existe vacina?
Quando se fala em bronquiolite, é natural imaginar que a solução seria simplesmente vacinar os bebês. A realidade é um pouco diferente. Como o sistema imunológico dos recém-nascidos ainda está em desenvolvimento, a proteção contra o vírus sincicial respiratório costuma acontecer por outras estratégias.
Uma delas é a vacinação da gestante durante a gravidez, que permite que anticorpos passem para o bebê antes mesmo do nascimento. A outra estratégia envolve o uso de anticorpos prontos, conhecidos como anticorpos monoclonais.
Esses medicamentos funcionam de forma diferente de uma vacina tradicional, já que, em vez de estimular o organismo do bebê a produzir anticorpos, eles fornecem diretamente essas moléculas de defesa. Na prática, é como oferecer ao organismo uma proteção imediata contra o vírus.
O principal anticorpo utilizado para essa finalidade é o Nirsevimabe, aplicado por injeção. Ele foi desenvolvido especificamente para neutralizar o vírus sincicial respiratório e ajudar a prevenir infecções graves das vias respiratórias inferiores, incluindo a bronquiolite.
O uso é indicado especialmente para bebês com maior vulnerabilidade, como:
Bebês prematuros
Crianças com doença pulmonar crônica da prematuridade
Bebês com cardiopatias congênitas
Crianças com imunodeficiências
Bebês com outras condições que aumentam o risco de infecções respiratórias graves
Porém, vale destacar que esses anticorpos não funcionam exatamente como uma vacina. Eles não geram memória imunológica duradoura. A proteção ocorre enquanto os anticorpos permanecem circulando no organismo do bebê, oferecendo uma espécie de escudo temporário durante o período em que ele é mais vulnerável.
Mesmo assim, essa estratégia representa um avanço importante na prevenção da bronquiolite.
Dúvidas comuns sobre o tema
A vacina de bronquiolite protege contra o vírus sincicial respiratório (VSR), principal causa da doença. As vacinas Abrysvo e Arexvy ajudam a reduzir o risco de infecções respiratórias graves, como bronquiolite e pneumonia.
Em geral, bebês não recebem diretamente a vacina. A proteção ocorre pela vacina na gestante (Abrysvo) ou pelo uso de anticorpos monoclonais, como nirsevimabe, em recém-nascidos com maior risco.
Atualmente, as vacinas contra o VSR é aplicada em dose única. Estudos ainda estão avaliando quanto tempo dura a proteção e se doses de reforço serão necessárias no futuro.
Referências ▼
- Andes pediatrica – Prevención de la infección por virus respiratorio sincicial en lactantes. ¿Qué se ha hecho y en qué estamos hoy?
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa amplia para maiores de 18 anos uso de imunizante que previne bronquiolite
- Revista JRG de Estudos Acadêmicos – Eficácia da imunização materna com Abrysvo na prevenção da bronquiolite viral aguda em lactentes


