A mpox, anteriormente chamada de varíola dos macacos, é uma infecção viral que existe há décadas na África Central e Ocidental. No entanto, ela passou a chamar a atenção global a partir de 2022, quando começou a circular em países onde nunca havia sido registrada.
No Brasil, o vírus segue presente: em 2025, foram confirmados 1.079 casos e dois óbitos. Em 2026, já são mais de 140 casos confirmados até o final de março, a maioria em São Paulo. Apesar disso, a transmissão da doença e os casos ainda não chegaram a níveis que exigem ações emergenciais, embora deva ser levada a sério.
O que é mpox e de onde vem o vírus?
O vírus da mpox pertence ao mesmo gênero da varíola humana, o Orthopoxvirus, mas são doenças distintas. A varíola humana foi erradicada em 1980.
Outro ponto importante é que a mpox não é uma doença de macacos, e o nome antigo é considerado impreciso: o vírus foi identificado pela primeira vez em macacos de laboratório em 1958, mas os reservatórios naturais são roedores silvestres da África.
Os primatas, assim como os humanos, são vítimas da infecção.
Existem dois grupos principais do vírus, chamados clados:
O clado 1, endêmico na África Central, é historicamente mais grave. Em 2023, surgiu o clado 1b, uma subvariante com maior transmissibilidade, que a OMS declarou emergência de saúde pública de interesse internacional em agosto de 2024.
O clado 2 foi responsável pelo surto global de 2022 e causa quadros geralmente mais leves
O primeiro caso do clado 1b no Brasil foi confirmado em março de 2025.
Como ocorre a transmissão da mpox?
A principal via de transmissão é o contato direto com as lesões de pele de uma pessoa infectada, com seus fluidos corporais ou com objetos recentemente contaminados, como roupas de cama e toalhas.
O vírus também pode ser transmitido por secreções respiratórias, mas essa via exige contato muito próximo e prolongado, como conversas face a face em ambiente fechado. Ou seja, não é um vírus que se espalha pelo ar como o da gripe ou o da Covid-19.
O contato íntimo e sexual também é uma via relevante de transmissão, especialmente porque as lesões podem aparecer em regiões genitais e perianais. Por isso, o surto global de 2022 afetou predominantemente grupos de homens que fazem sexo com homens.
Mas, apesar dessa característica do surto de 2022, o vírus não é uma doença exclusiva de nenhum grupo: qualquer pessoa que tenha contato físico próximo com alguém infectado pode se contaminar.
Uma pessoa transmite o vírus desde o início dos sintomas até que todas as lesões estejam completamente cicatrizadas, o que pode levar de duas a quatro semanas.
Por fim, alguns grupos possuem um maior risco de desenvolver formas graves:
Pessoas imunossuprimidas, incluindo quem vive com HIV/Aids sem tratamento adequado
Gestantes, pelo risco de transmissão ao feto e de complicações na gravidez
Crianças pequenas, especialmente em contextos de exposição domiciliar
Profissionais de saúde com exposição ao vírus sem equipamento de proteção adequado
Sintomas da mpox
O período de incubação varia de 5 a 21 dias, o que significa que, inicialmente, a mpox não causa sintomas.
O surgimento de lesões na pele é a característica mais marcante da doença. Elas começam como manchas avermelhadas, evoluem para elevações, formam vesículas com líquido, tornam-se pústulas e, por fim, formam crostas que secam e caem.
Todas as lesões costumam evoluir no mesmo ritmo, ao contrário da varicela, onde lesões em estágios diferentes coexistem. Elas podem aparecer no rosto, palmas das mãos, plantas dos pés, região genital, perianal e mucosas.
Outros sintomas costumam ser:
Febre
Dor de cabeça
Dores musculares
Fadiga
Aumento dos linfonodos (ínguas), especialmente no pescoço, axilas ou virilha
O inchaço dos linfonodos é um sinal que ajuda a diferenciar a mpox de outras doenças com lesões semelhantes, como a varicela e a sífilis.
Diagnóstico e tratamento
A avaliação clínica é o ponto de partida, com a identificação de casos suspeitos de acordo com os sintomas apresentados.
O diagnóstico é confirmado por exame de PCR, coletado diretamente do material das lesões. O exame laboratorial é necessário porque outras doenças, como herpes, sífilis e varicela, podem se parecer com a mpox.
Não existe tratamento antiviral específico amplamente disponível para a mpox. Assim, o manejo é de suporte:
Cuidado com as lesões
Controle da dor
Hidratação
Tratamento de complicações, quando necessário
As lesões devem secar naturalmente ou ser cobertas com curativo úmido para proteção, e o isolamento é mantido até que todas as crostas tenham caído e a pele esteja completamente cicatrizada.
Prevenção da mpox: vacina e medidas de proteção
A vacina disponível no Brasil é a Jynneos, liberada pela Anvisa para uso emergencial em 2023. Ela é oferecida pelo SUS para grupos prioritários:
Pessoas vivendo com HIV/Aids
Profissionais de saúde com exposição ao vírus
Pessoas que tiveram contato direto de médio ou alto risco com caso suspeito ou confirmado
A cobertura vacinal ainda é baixa, o que limita o impacto da imunização no controle da transmissão.
Quanto às medidas de proteção individuais, elas incluem:
Evitar contato pele a pele com lesões de pessoas com suspeita ou confirmação de mpox
Não compartilhar roupas de cama, toalhas ou objetos pessoais com pessoas infectadas
Uso de preservativo nas relações sexuais, especialmente em períodos de maior circulação do vírus
Higiene das mãos após contato com pessoas infectadas ou superfícies potencialmente contaminadas
Quem teve contato com uma pessoa confirmada deve monitorar sintomas por 21 dias
Pessoas com suspeita de mpox devem buscar atendimento médico, evitar contato próximo com outras pessoas e, se possível, se isolar até avaliação médica.
