Por que o diagnóstico de endometriose demora tanto?

Neste artigo

    Quem sofre com endometriose provavelmente passou por um longo período de dores, sangramentos intensos, consultas frequentes, exames e prescrições de remédios para dor que não resolviam o problema.

    Mesmo com exames cada vez mais modernos, consultas de rotina e ginecologistas capacitados, parece que o problema escapa da percepção dos profissionais. Na verdade, o tempo médio para o diagnóstico da endometriose é de 7 a 10 anos, inclusive em países como Estados Unidos. 

    Se somarmos a isso o fato de que mulheres tendem a cuidar melhor da saúde, fazer check-ups mais frequentemente e prestar mais atenção a sintomas, a dúvida fica ainda mais impactante.

    Por que demora tanto o diagnóstico de endometriose?

    A endometriose afeta 10% das mulheres e pode levar até uma década para ser diagnosticada.

    Normalização da dor menstrual 

    A menstruação vem quase sempre acompanhada de dor. Mais especificamente, de cólica. 

    E, independente da intensidade, o costume é aceitar, tomar um antiinflamatório, colocar uma bolsa de água quente e esperar. Em poucos dias ela passa e no mês seguinte reaparece. 

    É um ciclo que dura 30, 40 anos, desde sempre.

    Muitos médicos minimizam as queixas de cólicas, enquanto as próprias pacientes, com receio de serem julgadas como dramáticas, evitam reclamar tanto. 

    Mas qual o limite entre a cólica normal e o sintoma da endometriose?

    Dor normal versus sintoma de endometriose

    A cólica realmente dói, incomoda e muitas vezes vem acompanhada de outros sintomas. Mas não deveria ser algo que atrapalhe o dia a dia.

    A questão a ser avaliada, então, é o impacto da dor, além da duração e da resposta a medidas comuns de alívio.

    Essas medidas são:

    • Uso de compressas quentes

    • Medicamentos antiinflamatórios e analgésicos comuns, como ibuprofeno, dipirona e paracetamol 

    • Repouso 

    Lembrando que quando os medicamentos e as compressas são usados logo no início da dor, os resultados tendem a ser melhores. Ou seja. O ideal é não esperar a dor chegar num ponto insuportável, principalmente quando já existe um histórico de sintomas intensos.

    Existem ainda algumas medidas que, a médio e longo prazo, costumam ajudar no controle da dor, como a prática de exercícios, alongamentos e uma alimentação equilibrada e com poucos ultraprocessados.

    Quando a dor começa a restringir as atividades diárias e exigem o uso de diferentes tipos de remédios para melhorar, é hora de reavaliar o quadro e saber o que está causando o incômodo.

    Reconhecimento dos sintomas

    A definição formal da palavra sintoma é:

    Fenômeno subjetivo (dor, mal-estar etc.) referido por um paciente acerca da sua doença, frequentemente usado para estabelecer o seu diagnóstico.

    Por ser subjetivo, a diferenciação entre o que é realmente um sintoma e o que pode ser reflexo de outras questões da vida, como o estresse e a falta de sono, é difícil. A subjetividade do profissional de saúde entra em jogo nessa interpretação.

    O senso comum, no qual todos estamos imersos, tem um papel importante aqui. Porque ele molda o significado que damos às coisas, inclusive à dor (nossa e dos outros). 

    Então, quando existe uma cultura que vê a dor menstrual como algo comum e mulheres como o “sexo frágil” e “mais sucetíveis ao drama”, é fácil entender porque muitas dessas dores sao ignoradas ou classificada como exagero.

    Ao mesmo tempo, esse senso comum também afeta mulheres, que vêem a propria dor como algo esperado.

    E assim o principal sintoma da endometriose pode passar anos sem ser levado à sério, ou tratado de forma inadequada.

    Outros sintomas, quando estão presentes, tendem a ser confundidos com outras questões de saúde, como na endometriose intestinal.

    Existe esperança?

    Nos últimos anos, com a entrada massiva de cada vez mais mulheres na atenção à saúde e com a visibilização de questões de gênero, a endometriose tem ganhado mais atenção.

    Afinal, o problema atinge cerca de 10% das mulheres.

    Mas ainda temos um longo caminho até a detecção precoce da endometriose, o desenvolvimento de novas técnicas diagnósticas e, principalmente, a conscientização de que a dor menstrual nem sempre é normal.

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