Ozempic e Mounjaro estão entre os medicamentos mais comentados dos últimos anos. Ambos são utilizados no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade.
Nas redes sociais e na mídia, muitas vezes aparecem como se fossem equivalentes, mas existem diferenças importantes entre eles.Embora os dois medicamentos atuem sobre hormônios relacionados ao apetite e ao metabolismo da glicose, eles não são idênticos. Assim, o mecanismo de ação, os resultados observados nos estudos clínicos e até o perfil de efeitos colaterais podem variar.
Neste artigo, você vai entender as diferenças entre Ozempic e Mounjaro, como cada medicamento funciona e em quais situações um pode ser mais indicado que o outro.
Diferença entre Ozempic e Mounjaro
A principal diferença entre os dois medicamentos está no princípio ativo e no mecanismo de ação.
O Ozempic contém semaglutida, um medicamento que imita a ação do hormônio GLP-1. Esse hormônio participa do controle do açúcar no sangue e da regulação do apetite. Entre seus efeitos estão:
Redução da liberação de glucagon
Aumento da secreção de insulina
Retardo do esvaziamento gástrico
O Mounjaro contém tirzepatida, uma molécula mais recente que atua em dois receptores hormonais ao mesmo tempo. Além do receptor de GLP-1, ela também ativa o receptor de GIP, outro hormônio relacionado ao metabolismo da glicose e ao controle do apetite.
Essa ação dupla ajuda a explicar por que alguns estudos clínicos observaram maior perda de peso com o Mounjaro.
Resultados observados em estudos clínicos incluem:
Pacientes que utilizaram tirzepatida (Mounjaro) perderam até cerca de 20% do peso corporal
Pacientes que utilizaram semaglutida (Ozempic) tiveram perda média próxima de 15%
Isso não significa que um medicamento seja automaticamente melhor para todas as pessoas. A resposta ao tratamento varia bastante entre indivíduos e depende de fatores clínicos, metabólicos e comportamentais.
Como usar Ozempic?
O Ozempic é administrado por injeção subcutânea uma vez por semana. A aplicação pode ser feita no abdômen, na coxa ou na parte superior do braço.
O tratamento começa com uma dose baixa, que é aumentada gradualmente para reduzir os efeitos colaterais gastrointestinais.
O esquema de doses costuma seguir esta progressão:
0,25 mg por semana nas primeiras quatro semanas
Aumento para 0,5 mg por semana
Possível aumento para 1 mg ou mais, dependendo da orientação médica
A aplicação é feita com uma caneta reutilizável (mas com agulhas descartáveis), que contém várias doses do medicamento. Por isso, a mesma caneta pode ser usada em aplicações semanais sucessivas.
Os efeitos colaterais mais comuns incluem:
Náusea
Vômito
Diarreia ou constipação
Desconforto abdominal
Redução do apetite
Esses sintomas costumam ser mais intensos no início do tratamento e tendem a diminuir com a adaptação do organismo.
Como usar Mounjaro?
O Mounjaro também é aplicado por injeção subcutânea semanal. A principal diferença em relação ao Ozempic está na apresentação do medicamento.
Cada dose vem em uma caneta descartável individual, usada apenas uma vez.
O esquema de doses normalmente segue uma progressão gradual:
2,5 mg por semana nas primeiras quatro semanas
Aumento para 5 mg por semana
Possibilidade de aumento progressivo até 10 mg ou 15 mg
Os aumentos de dose podem ser feitos em acréscimos de 2,5 mg após o mínimo de 4 semanas na dose atual, e ajudam a minimizar os efeitos colaterais.
Entre os efeitos colaterais mais relatados estão:
Náusea
Diarreia
Constipação
Refluxo gástrico
Redução do apetite
Em alguns pacientes também pode ocorrer queda de cabelo temporária, geralmente associada à perda de peso rápida.
Ozempic ou Mounjaro: qual escolher?
A escolha entre Ozempic e Mounjaro depende do quadro clínico, dos objetivos do tratamento e da resposta individual de cada paciente.
De forma geral, alguns critérios costumam orientar a decisão médica.
O Ozempic pode ser mais indicado quando:
O objetivo principal é o controle do diabetes tipo 2
A perda de peso é um benefício adicional, mas não o foco principal
O paciente apresenta maior sensibilidade a efeitos gastrointestinais
O custo do tratamento precisa ser considerado
O Mounjaro pode ser considerado quando:
Há obesidade ou sobrepeso associado a comorbidades
O controle glicêmico precisa ser mais intensivo
O paciente não teve resposta satisfatória a outros medicamentos da mesma classe
A decisão final deve sempre ser feita com orientação de um médico, levando em conta o histórico de saúde e as características individuais de cada pessoa.
Dúvidas comuns sobre o tema
Ozempic contém semaglutida e age principalmente no receptor GLP-1. Já Mounjaro contém tirzepatida e atua em dois receptores, GLP-1 e GIP. Essa diferença pode influenciar o efeito sobre controle da glicose e perda de peso.
Os dois medicamentos foram aprovados principalmente para tratar a obesidade e a diabetes tipo 2. O emagrecimento é um efeito observado em muitos pacientes, mas o uso deve sempre ser avaliado por um médico para evitar riscos ou uso inadequado.
Os efeitos mais comuns incluem náusea, sensação de estômago cheio, vômitos, diarreia ou constipação. Esses sintomas costumam aparecer no início do tratamento e podem diminuir com o tempo, mas devem ser acompanhados por um profissional de saúde.
Referências ▼
- Conselho Federal de Farmácia – Estudo mostra que tirzepatida supera semaglutida na redução de peso
- Arquivos Brasileiros de Cardiologia – Diretriz Brasileira Baseada em Evidências de 2025 para o Manejo da Obesidade e Prevenção de Doenças Cardiovasculares e Complicações Associadas à Obesidade
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Mounjaro® (tirzepatida): nova indicação
